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Ainda se vêem alguns sorrisos no sector têxtil
Trinta e Maçaínhas, aldeias do concelho da Guarda, estão, para já, a passar ao lado da crise.
Autor: Filipe Sanches*
NOS ÚLTIMOS meses, rara é a semana em que os jornais da Beira Interior não noticiam o encerramento de mais uma fábrica do sector dos têxteis, mais concretamente de confecções. Ouvem-se histórias de falências, de empresários que fogem, de despedimentos sem aviso... O negativismo e pessimismo instalaram-se rapidamente e toda a gente fala do assunto. Os próprios trabalhadores do ramo levantam-se todas as manhãs com a esperança de terem melhor sorte.
Mas os órgãos de comunicação social devem contribuir para que haja mais optimismo e, por isso, o "Jornal do Fundão" decidiu mostrar que nem tudo está mal e que ainda há quem sorria. Os lanifícios estão, aqui e ali, a sobreviver. Visitámos os Trinta e Maçaínhas, duas aldeias do concelho da Guarda tipicamente ligadas ao ramo, e verificámos que a crise parece estar a passar ao lado das várias fábricas que ali existem.
Há duas décadas atrás, 90 por cento dos habitantes locais trabalhavam nelas. Era uma espécie de caridade: as pessoas pediam trabalho e os proprietários não recusavam. Actualmente, o número de trabalhadores é mais reduzido, mas as unidades continuam a funcionar em pleno, cumprindo os níveis de produtividade exigidos, dizem os responsáveis.
Na zona, há empresas dedicadas exclusivamente à cardação e fiação da lã e há outras de horizontes mais alargados, que fazem desde a recolha da lã até ao lançamento do produto final no mercado.
A Vasco Costa Sousa, Lda. é a fábrica de cobertores e mantas de viagem "Serralã", que está em funcionamento ininterrupto desde os anos 60. Com uma produção média de 800 peças por dia, é das maiores unidades da zona, empregando mais de 80 pessoas e colocando cerca de 50% da produção em dezenas de clientes no estrangeiro, nomeadamente nos Estados Unidos, Canadá, Espanha e França. Nos últimos meses, as encomendas baixaram, mas agora parece estar tudo a voltar ao normal. "Não somos alheios à crise que está instalada. Sentimos dificuldades junto dos clientes, principalmente os americanos. Mas as coisas começaram a voltar ao normal assim que recomeçámos a laborar, após o período de férias de Agosto. As encomendas apareceram novamente e está tudo normal. Mas isto também acontece porque nós temos muita variedade, fazemos grandes esforços e temos muita dedicação com os clientes", explica Vasco Sousa, o proprietário, acrescentando que a qualidade também é um trunfo: "Os nossos produtos estão certificados pela 'Woolmark', com tratamento anti-traça".
Mas nem tudo são rosas. Ao que parece, a cobrança das facturas, por vezes, não é pêra doce. "Isso é que é a parte mais delicada. Mas penso que é mais um hábito do que outra coisa. Ainda que com alguns atrasos, acabam sempre por pagar", revela.
*In "Jornal do Fundão", 27 Setembro 2002, págs. 28/29
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